Segunda-feira, 4 de Abril de 2005

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CAPÍTULO II

Numa sala, cheia de fumo, a tertúlia das vozes que ecoam baixo, mas de forma ensurdecedora, e; que quase se sobrepõem ao som da música de fundo, Vivaldi - Nulla In Mundo Pax Sincera. “Não consigo compreender o interesse de tanta gente num tema que apenas pretende corromper-se de si próprio” – interroga-se. «-Meus senhores, por favor... » - faz-se ouvir o gerente da livraria. Seguido, do som habitual das cadeiras que se arrastam, faz-se silêncio -; «... é com muito prazer que vos apresento...» - continuou o homem gordo e de aspecto importante «...- um nome ...» - “Choné....artista de circo e shows de aniversário...”- Ele esboça um sorriso, que é seu. Faz parte de um quadro do seu imaginário, em que todos se intentam em outros personagens, uma analogia para o contacto que o tranquiliza em momentos de tensão e ansiedade. “- Senhoras e senhores, o show começou...”: agradeço a oportunidade concedida, o vosso tempo; o bem mais precioso. Todo o ser humano que dispõe de algum do seu curto espaço de vida, para ouvir o seu semelhante, procura algo. E essa eterna e inquietante demanda, apenas, completa-se, também ela, em tantos outros ciclos de novas questões, sempre incessantes. É o hipnotizante delírio colectivo, que nos condena eternamente, - simples mortais -, sucubimos no fascínio de tantas quimeras que se determinam na capacidade do limite de cada um. O objectivo é conseguir esquecer-se de se ouvir a si próprio. Não no que pensamos, porque obviamente todos opinamos demais, mas sim no que sentimos...! Alguns de nós, talvez, fascinados por um determinado personagem. Para outros, talvez, de forma algo incómoda, e, suficientemente inquietante, - do mesmo modo - que o faz um verdadeiro amigo, – atento –, que não se esconde em jogos de conveniência, como um hipócrita. Noutras circunstâncias – talvez - alguém, possa até pensar que outro alguém, seja possuidor de respostas para questões existenciais, ou; até para outras mais controversas. E talvez, algumas outras pessoas estejam apenas presentes, porque, comprovadamente, –estabeleceram para consigo próprias –, reverificarem-se das suas próprias convicções, na realidade, mais nada lhes resta, infelizmente! Quando as árvores não cedem ao vento, nestes casos, – o mesmo – arranca-as pelas raízes...! Portanto, nem sempre morrem de pé. Parafraseando Tolstoy: “... o único conhecimento verdadeiramente absoluto, talvez seja de que a vida não faça qualquer sentido.” Uma vez mais, grato pela vossa presença, e; em interacção, - espero -, com todos os presentes, para uma curta conversa sobre "O Santo Graal". Esta é uma abordagem aos verdadeiros valores de que qualquer ser humano algum dia poderá na realidade deter. – Faz uma pausa para olhar atentamente para os presentes. - Referencia à vida, como o único e verdadeiro elemento válido a ter, na realidade, em linha de conta – continuou.

Primeiro Acto

A libertação pacifica dos credos e da ignorância das convicções. Para que possamos ser novamente recuperados de volta à condição de seres humanos. Voltar a acreditar, que vale a pena estar aqui, neste espaço, sem que nos sintamos devedores e manietados por uma sociedade em que, cujo modelo, comprova, a cada instante, a sua própria decadência. Prometem-nos descobertas de um universo distante quando não conseguimos conquistar, ou vencer, o nosso ódio. Aquele, que é produto da revolta e do descontentamento, o da impotência, de estarmos condenados à escravidão antevista por George Orwell na sua obra 1984. Não conseguimos compreender, que já está a acontecer? Tão grande é, assim, a nossa ignorância, que não damos conta? E, iludem-nos ao procurar-se vida no espaço exterior. Para que esqueçamos as carências deste mundo em que seres humanos morrem de fome. Em nome do progresso sugamos o planeta. A água desaparece e, todos os dias, ainda hoje, conquistam-se novos fósseis. Como predadores, que somos, matamos vida!Vendem-nos um modelo democrático em que não participamos e, deste modo, o sustentamos através dos nossos impostos. De todas as injustiças de que somos vitimas, a pior é a de nos conseguirem vender o sonho, que nos arrasta inevitavelmente, para dentro. De volta para "casa" e, o inevitável; assim, acontece...Allô, allô, quem sou? O que faço aqui? Não existe felicidade...! Este é um apelo ao ser humano, enquanto vivo, - não aquele que assegura resultados estatísticos de uma vida dedicada a uma carreira profissional e ao zapping -, porque nessa garantia, que representa uma verdade absoluta, enquanto, inconscientes desse facto, resulta o esforço, de cada individuo, para uma sociedade melhor. Aquela em que sucumbimos na nossa própria merda, e; na qual sufocamos também os nossos filhos. A conquista, para uma consciência superior, aquela que nos integra e que faz de nós, - até esta data -, comprovadamente, a única espécie desenvolvida e, por consequência, a única dominante de todo o universo. Isto é facto científico inegável. Todos fazemos a diferença, não existem pessoas iguais. Mas, porque detemos o dom do sentir, acredito que tudo possa ser melhor. No verdadeiro sentir encontram-se virtude e respostas. Podemos inovar, minando pela base todos os actuais sistemas governativos. E tenho a certeza, que tudo irá mudar. «- O senhor é um lírico!» – Diz alguém na assistência. Ele, cala-se por uns instantes, enquanto olha fixamente para o homem; e diz: - Talvez queira continuar, faço questão de conquistarmos espaço para uma participação conjunta e suficientemente abrangente para a exposição de diversos pontos de vista. Quer fazer o favor de continuar?- repete. «– Não, não tenho mais nada a acrescentar.» – Diz o homem, enquanto se levanta da cadeira arrastando-a, ruidosamente, para em seguida abandonar a sala. Faz-se silêncio.–As bases em que nos suportamos nesta nossa sociedade estão ultrapassadas. - continuou após a pausa. -Ainda vivemos num passado longínquo que se reporta ao império romano e à cultura grega, que não se coadunam com as necessidades deste novo millénium. Estamos a pagar, com custos muito altos, o atraso no desenvolvimento da sociedade humana. - Uma senhora, a meio da sala, intervém: «- Boa tarde. O meu nome é Daniela de Sousa. Sou jornalista na revista “Lix-Vip”.Já li o seu livro, na edição Francesa, e gostaria de lhe colocar uma questão...» – Sim, tenha a bondade. Sinta-se à vontade. - responde. – A minha pergunta não tem propriamente a ver com a obra em si, que apreciei bastante. Trata-se mais de uma curiosidade... é Português e edita em diversas línguas, o que é inusual, - portanto -, o que escreve, habitualmente, vende. Em Portugal, é a primeira vez que vem pessoalmente promover e assistir ao lançamento de uma obra sua. Ainda que na circunstância polémica em que este título se encontra envolvido. Porquê só agora, em Portugal? - A questão exposta, deste modo, necessitará de uma explanação apropriada. A minha primeira obra escrita intentei publicá-la em Portugal sem sucesso. Bom, - mas -, facto é, que este país conta com uma população extremamente reduzida e, sobretudo, muito pobre culturalmente. Para os livreiros e editoras, torna-se muito mais fácil investir no potencial de vendas de uma obra do tipo Best-seller, aquela, que já provou ser um bom investimento comercial em outros países. Negoceiam-se e adquirem-se os direitos autorais de publicação e, deste modo, não se correm os riscos habituais que um novo autor acarreta. Será necessário diria, - até obrigatório -, acreditar no potencial de cada concidadão. E este país não o faz. Porque razão os Portugueses emigrados desenvolvem uma maior sensibilidade patriótica do que os residentes em território nacional?Enquanto não voltarmos a acreditar no potencial de cada semelhante, o maior recurso de um País, não serei certamente o primeiro, nem o último, a procurar firmar uma carreira além fronteiras. Faço deslocar recursos, para outros lados, que poderiam ficar no meu País. Mas, de outro modo, se o esforço que fiz, ao sair de Portugal, não tivesse sido encetado, de certeza que o interesse, - agora manifesto -, na minha obra, estaria muito para além do que nos reúne a todos nesta mesma sala. Pensei em voltar, cá estou! Regresso, sobretudo, também, para umas curtas férias e na condição de que, todos devem tomar conhecimento, o país que me viu nascer não me apoiou. E irá continuar a fazê-lo com os nossos filhos... « – O senhor tem um discurso perigoso, que inspira a ideais anárquicos...». – Diz um homem de meia-idade. «...- Os seus princípios são um atentado aos valores com que nos regemos nas sociedades modernas. E o exemplo é, se me permite utilizar palavras suas, aquando e no início da sua dissertação, disse: “...até esta data, somos a única espécie desenvolvida e, por consequência, a única dominante de todo o universo.” São estes os valores que hoje contesta que nos permitiram chegar ao que somos.». – Sem dúvida alguma. - Responde. -Mas, vejamos: aquando da minha abordagem sobre o tema, que se desenvolve num movimento em que as mutações são constantes, em cada momento, uma breve transição de um espaço de tempo que preenche ou não, um ser vivo. Não necessitamos, concerteza, de muita argúcia para entender o nosso processo de envelhecimento. Sempre que inspiramos, pagamos para uma nova jornada, para captarmos, ou não; a essência da vida. E, quanto a mim, faz todo o sentido, procurar preencher o meu curto espaço, de momentos, de clareza e felicidade. Não vou esperar pela minha reforma, se é que a terei algum dia, para concluir que, o pouco tempo que me falta, é para ser aproveitado na totalidade. Porque, em qualquer instante, poderemos não dispor de mais respirar. Então nesta curta passagem, apenas neste instante, e; enquanto vivos, poderemos ter a consciência do "Ser" vivo num espaço único - sem retorno -, e consequentemente optimizar o desempenho de cada um de nós, através da análise introspectiva e franca do nosso passado histórico, num melhor entendimento para o que somos, enquanto seres humanos moralmente conscientes e concidadãos. E, sobretudo, estarmos atentos aos erros que continuamos a repetir hoje. Quando cada ser humano for capaz de se respeitar a si próprio, a integridade alheia estará protegida, porque todo e qualquer forma de altruísmo passará, sempre, pela não violação da liberdade e bem-estar do próximo. E, este simples propósito, continua a não ser conseguido. Vejamos, sobre a velocidade com que se actualizam dados nos dias em que vivemos, e; o desperdício que a nossa sociedade de consumo gera. Porque não gerir esses recursos a favor dos mais carenciados?Estes desequilíbrios denunciam que, na realidade, vivemos numa sociedade Despótica.Existem lugares cativos para os verdadeiros "Senhores das Guerras", em todos os lugares. Tiranos, até nas sociedades recreativas e culturais. Logo, o modelo actual não serve ...« – O senhor, não está a responder directamente à questão que lhe coloquei.» - Insiste o homem de meia-idade. - Lá chegaremos – responde. - No actual panorama, das sociedades desenvolvidas, se inquirirmos, e observarmos, nos factos históricos, verificamos que se continuam a repetir os mesmos erros de outrora. E encontramos as mesmas ocorrências repetidas ao longo de milénios, em todas as civilizações, por uma razão muito simples, o homem não mudou. O drama da humanidade, na obra de Shakespeare, é intemporal. Todos procuramos bem-estar, mas o modo como agimos para consegui-lo é tão estranho ao ponto de permitirmos que crianças se prostituam na rua. É algo que foi aceite em outras civilizações, mas que a consciência actual não pode continuar a permitir. O formato jurídico que se revela inoperante e sem consensualidade, no seio da opinião pública, pela abordagem grotesca de que o próprio acto, - por si próprio -, se faz representar. A maleita continua a existir, e o modelo social falha, porque demonstra fragilidade no suporte da acção jurídica. As nossas instituições - uma cópia adaptada do modelo romano -, que todos sabemos não ter funcionado. Deste modo, jamais irá funcionar dois milénios depois. Os grandes valores morais só poderam ser encontrados nos limites da mente, - tendo o coração como guia -, eles são indespensáveis à formação de qualquer carácter e, assim determinar as prioridades que melhorariam a sociedade humana, esta é a verdade designada por consciência superior. Continuar a descorar este princípio é sustentar o modelo de sociedade medievalesca repleto de obscurantismo em que vivemos.Quando aponto com veemência as fragilidades da actual sociedade, procuro sobretudo a atenção de cada ser humano, para que possa-se fazer valer a sua diferença, enquanto igual, para que, a pouco e pouco, e em gerações futuras tudo possa ser de facto diferente. Tenho presente que o meu discurso tem algo de apocalíptico. Mas, não tanto, porque enquanto depender de nós, seres conscientes e racionais, os erros de civilizações passadas que desapareceram sem deixar rasto ou pereceram sobre o seu próprio peso, não precisará de voltar a ser repetido. Existem registos de civilizações, já extintas, que conseguiram atingir índices de um desenvolvimento grandioso, e a prova científica da existência das mesmas, ainda hoje, está por fazer. O que constitui um duplo mistério. Como não nos preocupamos, por vezes, surge a questão: quanto tempo irá alguém levar novamente para reinventar a roda? Enquanto continuarmos a confiar os nossos destinos a um punhado de homens, que logo após ascenderem ao poder, esquecem a existência de um processo democrático que os definiu como confiáveis, quanto a mim, toda uma civilização estará em perigo. O poder tem que ser repartido de outro modo, para que melhor possa servir as populações e o desenvolvimento local. «– Mas, tem alguma proposta válida, que possa ser aplicada?» – Interpela uma jovem. - Não, não tenho nada! Mas, penso que existem pessoas competentes que poderiam trabalhar nesse sentido. « –Então como supõe que essa mudança poderia ser possível do ponto de vista prático?» – Inquire novamente a jovem. – É difícil, mas não impossível. Em primeiro lugar teriam de que se formar núcleos de intervenção social, a título de exemplo, quase como que as associações de Misericórdias que existem distribuídas por todo o país. Teriam que estar articulados - estes núcleos -, entre si. Os mesmos, deveriam conquistar, através de resultados práticos, obtidos no terreno, e com o apoio das populações, a tomada do poder local, em sufrágio eleitoral, pelas regras que fazem parte do sistema. Não tenho aspirações ou ideais anárquicos, e a palavra revolução acarreta excessos que não se reflectem no contexto. Estes grupos de trabalho ao instalarem projectos de desenvolvimento local, ao longo dos anos, estou certo, por si só, reproduziriam resultados visíveis que conduziriam, certamente, para outros objectivos mais ambiciosos para o amadurecimento deste novo modelo social. Mas, sinceramente, não me sinto vocacionado, neste momento, para a área politica. Portanto, não se enquadra nos meus projectos proceder, a nenhum tipo de assalto ao poder.«-Em que contexto coloca a religião na formação de cada ser humano?» –Questiona um homem idoso. – Eu nada tenho contra os princípios religiosos. Mas, uma vez mais, ao invocar a história universal, a mesma demonstra como todos se servem do homem comum. Todos os líderes religiosos, que no extorquir dos seus crentes, movimentam, inclusive, acções de agressão contra o próximo. Em nome de deus. A religião serviu, e continua a servir, para se justificarem os actos mais hediondos contra a dignidade de qualquer ser humano. Parafraseando Karl Marx, em "Manifesto Comunista, - sobre a religião -, " Ela é o ópio do povo."; ou Raymond Aron "O marxismo é o ópio dos intelectuais."; segundo a lei dos opostos, nos extremos não se desenvolve a harmonia. As bases que suportam a crença religiosa são tão débeis que as instituições necessitam de munir-se de preconceitos que em nada se identificam com a realização espiritual de cada ser vivo. Contribuindo, inclusive, para o atraso do desenvolvimento de uma livre consciência. Nascemos livres morremos livres. Somos dotados à nascença de vida e espiritualidade e, ao longo do curto espaço que dura a mesma, ensinam-nos como escravizarmo-nos na obtenção desse "Santo Graal", isolam-nos do que já é nosso por natureza. -Uma voz feminina, melodiosa, faz-se ouvir: «-Pois penso, que o ser humano sem orientadores espirituais será muito mais cruel.» “-Toda ela...!”- Pensa, enquanto esboça um sorriso. -Pior ainda?- acrescenta. Não quero ser irónico. Mas...«Mas, está a sê-lo!»- Responde, “Toda ela”, sem alterar o tom de voz, num sorriso repleto de um erotismo absurdo. -“Quem será esta mulher?”- pensa confuso e completamente cilindrado:”Copa B; para aí 38; bom, nesta matéria raramente existem enganos!” - Dois mamilos, erectos, atingem-no no olhar. Sobressaem e desnudam-se da Lycra de cor branca que os oprime. Usa-os soltos, como nasceram ao mundo, livres com “Licença para Matar”. Como num duelo de titans, e com o frio - proveniente do sistema de ar condicionado -; como aliado, condiciona-se inevitavelmente a capacidade de raciocínio de qualquer um, é uma batalha desigual, a natureza vence sem dó nem piedade.«-Muito bem! Já ultrapassamos o tempo inicialmente previsto para esta primeira parte. Vamos fazer uma pausa para um café. Daqui por 15 minutos, reiniciamos a segunda parte.» - Intervém oportunamente o gerente da livraria, o homem gordo e de aspecto importante.

Ela,- a da copa B-, dirige-se para ele “ - No teu olhar banho-me de ti...” – pensa. É muito comum, nestes momentos, que as palavras se sintam dispensáveis. Em que o silêncio se vai embriagar e, quando todo o mundo pára em letargia, sim; lá nos encontramos, naquela tasca em que apenas existimos. Não, não se trata de paixão... é a química humana que funciona, como a de um Pássaro Jardineiro, corteja a fêmea num jogo erótico de sedução artística sem que pensamentos se transponham no tempo. E... impõem-se apenas o desejo. -Posso ajudá-la? – O sorriso do pecador denuncia-o na fragilidade do momento. «-Sim, quando tiver um minuto aguardamo-lo no átrio.» - Ela afasta-se com um sorriso malicioso que o presenteia com uma semente de confusão.

publicado por Mário Feijoca às 22:31
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